domingo, 25 de novembro de 2007

Dúvidas Frequentes

1. Devo conversar com o meu filho (a) sobre relação sexual ? Isso não estaria estimulando meu filho a ter relação sexual ?
2. Meu filho deve praticar que tipo de atividade física ? Ele já pode entrar na academia ? Se ele quer ser jogador de futebol, já posso colocá-lo em uma escolhinha de futebol ?
3. Quanto meu filho(a) pode crescer ? Meu filho(a) ainda tem corpo de menino(a) com 12 anos, além de não ter crescido. É normal ?
4. Meu filho(a) brinca demais, não para quieto um segundo. Todo mundo fala que ele é hiperativo. Apesar disso é bom no colégio, consegue fazer suas atividades diárias. Ele é realmente hiperativo ?
5. Eu posso tomar a pílula-do-dia seguinte frequentemente ? Quais outros métodos anticoncepcionais existentes ?
6. Adolescentes podem usar todo tipo de método anticoncepcional ?

O que é Hebiatria ?

O termo Hebiatria se refere à deusa grega da juventude. Hebe: filha de Zeus e Hera. Etimologicamente a palavra HEBIATRA é formada pelo antepositivo HEB + o pospositivo IATRA. Heb(e) antepositivo, do grego - hêbé,és - juventude, adolescência; vigor da mocidade. Iatrapospositivo, do grego - iatrós,oû - 'médico', com interveniência do fr. -iatre
A especialidade começou a ganhar corpo na década de 50 nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, o primeiro serviço especializado neste grupo surgiu em 1974 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Segundo a (OMS) Organização Mundial de Saúde, adolescência é o período entre os 10 e 20 anos de idade.

Por que a necessidade de um médico para os adolescentes? Do ponto de vista biológico, nenhuma outra etapa da vida extra-uterina é marcada por tantas mudanças rápidas como a adolescência. E o crescimento e desenvolvimento são muito peculiares, bem diferentes da infância e da vida adulta. Além das mudanças físicas, o jovem também modifica sua forma de pensar, de encarar o "novo mundo". Movido pela curiosidade, muitas vezes ele pode se expor a riscos, principalmente quando está com o grupo de amigos.

O que abrange a consulta do hebiatra? É um momento em que o adolescente se sente à vontade para colocar suas dúvidas e preocupações em relação a tantas mudanças desta fase. Na consulta com o hebiatra surgem questões referentes a drogas, à sexualidade (o primeiro beijo, a primeira relação sexual), preocupações com o corpo, alimentação, exercícios físicos exagerados, etc. O hebiatra acompanha o desenvolvimento físico prevenindo ou tratando doenças e atua também discutindo questões relacionadas às esferas social e psicológica. Entre outros cuidados, ao contrário do que muitos imaginam, o programa de vacinação não é exclusivo da infância. Os adolescentes também precisam estar adequadamente imunizados.

sábado, 24 de novembro de 2007

Adolescência, Contracepção e Ética - Diretrizes

http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=1687&tipo_detalhe=s

Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP
Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia FREBASGO


Considerando o número cada vez maior de adolescentes iniciando a vida sexual e o risco que envolve a atividades sexual desprotegida, pediatras e ginecologistas precisam estar preparados para abordagem deste tema durante o atendimento dos jovens. Constitui grande desafio a adequada orientação sexual, que implica em enfatizar a participação da família escola, área de saúde e sociedade como um todo, nesse processo contínuo de educação. Assim é necessário que os profissionais de saúde, tanto generalistas quando especialistas, tenham conhecimento sobre sexualidade e anticoncepção, incluindo os aspectos éticos que envolvem a prescrição dos métodos anticoncepcionais.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), respaldadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)1, ONU (Cairo + 5, 1992)2 e Código de Ética Médica3, e baseados nas resoluções do Fórum 2002 Adolescência, contracepção e ética4, estabelecem as seguintes diretrizes em relação a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes.

O adolescente tem direito à privacidade durante a consulta, ou seja, de ser atendido sozinho, em espaço privado e apropriado. Deve-se lembrar que a privacidade não está obrigatoriamente relacionado à confidencialidade.

A confidencialidade é definida como um acordo entre o profissional de saúde e o cliente, no qual se estabelece que as informações discutidas durante e depois da consulta ou entrevista, não podem ser passadas a seus pais e/ou responsáveis sem a permissão expressa do adolescente. A confidencialidade apoia-se em regras da bioética médica, através de princípios morais de autonomia.

A garantia de confidencialidade e privacidade, fundamental para ações de prevenção, favorecem a abordagem de temas como sexualidade, uso de drogas, violência, entre outras situações.

O profissional de saúde deve respeitar os valores morais, sócio-culturais e religiosos do adolescente que está sendo atendido.

O sigilo médico é um direito garantido e reconhecido pelo artigo 103 do Código de Ética Médica.

Em situações de exceção, como déficit intelectual importante, distúrbios psiquiátricos, desejo do adolescente de não ser atendido sozinho, entre outros, faz-se necessária a presença de um acompanhante durante o atendimento.

Nos casos em que haja referência explícita ou suspeita de abuso sexual, é conveniente a presença de outro profissional durante a consulta. Nessas situações o profissional está obrigado a notificar o conselho tutelar ou à Vara da Infância e Juventude, como determina o ECA – lei federal 8069-90 – Recomenda-se a discussão dos casos em equipe multidisciplinar, de forma a avaliar a conduta, bem como o momento mais adequado para notificação.

O médico deve aproveitar todas as oportunidades de contato com adolescentes e suas famílias para promover a reflexão e a divulgação de informações sobre temas relacionados à sexualidade e saúde reprodutiva.

A orientação deve abranger todos os métodos recomendados pelo Ministério da Saúde, com ênfase na dupla proteção (uso de preservativos), evitando-se qualquer juízo de valor.

A prescrição de métodos anticoncepcionais deverá levar em conta a solicitação dos adolescentes, respeitando-se os critérios médicos de elegibilidade, independentemente da idade.

A prescrição de métodos anticoncepcionais para adolescente menor de 14 anos, desde que respeitados os critérios acima, não constitui ato ilícito por parte do médico.

Na atenção a menor de 14 anos sexualmente ativa, a presunção de estupro deixa de existir, frente ao conhecimento que o profissional possui de sua não ocorrência, a partir da informação da adolescente e da avaliação criteriosa do caso, que deve estar devidamente registrada no prontuário médico.

O médico pode prescrever anticoncepção de emergência, com critérios e cuidados, por ser um recurso de exceção, às adolescentes expostas ao risco iminente de gravidez, nas seguintes situações:

1. não estar usando qualquer método anticoncepcional
2. falha do método anticoncepcional em uso
3. violência sexual

A anticoncepção de emergência não é um método abortivo, conforme demonstram as evidências científicas atuais. Deixar de oferecer a anticoncepção nas situações em que está indicada, pode ser considerada uma violação do direito do paciente, uma vez que este sempre deverá ser informado a respeito das precauções disponíveis para sua segurança.

Nos casos de violência sexual, devem ser respeitadas as normas do Ministério da Saúde que incluem a anticoncepção de emergência, devendo a mesma estar disponibilizada nos serviços que atendem essas adolescentes.

Os adolescentes de ambos os sexos têm direito à educação sexual, ao sigilo sobre sua atividade sexual, ao acesso e disponibilidade gratuita dos métodos anticoncepcionais. A consciência desse direito implica em reconhecer a individualidade do adolescente, estimulando-o a assumir a responsabilidade com sua própria saúde. O respeito a sua autonomia faz com que eles passem de objeto a sujeito de direito.

1 “O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal 8,069, garante o direito dos adolescentes à saúde (capitulo I) e à preservação da autonomia e dos valores (capitulo II)

2 “O plano de ação da Conferência Mundial de População e Desenvolvimento (CAIRO, 1994), introduziu o conceito de direitos sexuais e reprodutivos na normativa internacional, inserindo os adolescentes como sujeitos que deverão ser alcançados pelas normas, programas e políticas públicas”.
“O documento de revisão do programa, Cairo 5, garante os direitos dos adolescentes à privacidade, ao sigilo, ao consentimento informado, à educação sexual e à assistência à saúde reprodutiva”.

3 Ari. 103, Código de Ética Médica: “É vedado ao médico: revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, salvo quando a não revelação possa acarretar danos para o paciente.”

4 Fórum 2002 Adolescência, contracepção e ética fórum organizado pelo Instituto da Criança/USP, coordenado pelo Pro Maria Ignes Saito, que reuniu profissionais das áreas de saúde e justiça de diferentes serviços e regiões do país.

Como lidar com a sexualidade de seu filho adolescente

http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=2465&tipo_detalhe=s

Publicada em 06/09/2007 às 09h22m

Renata Cabral

RIO - Ainda hoje, a mulher é a principal responsável pela educação dos filhos e muitas gaguejam ou hesitam ao falar sobre sexualidade com os filhos. Na casa de Cristina Medina, mãe de duas adolescentes, a advogada resolveu agir diferente. Desde pequenas, as meninas foram criadas sem tabus e com liberdade para falar sobre qualquer assunto com os pais. Ela conta que, aos 9 anos, sua filha maior - hoje com 16 anos - explicou e demonstrou à mãe como se põe camisinha numa banana, após assistir a um programa de televisão.

"Nem sempre a maturidade física vem acompanhada da psicológica. Isso faz com que o adolescente se coloque em situações de risco e exposição"

Segundo a ginecologista e médica do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Uerj, Isabel Bouzas, como todo período de mudanças, a adolescência inspira medo, dúvidas, insegurança e deve ser acompanhada com cuidado pelos pais. Para a especialista, a sociedade viveu uma liberação, mas não se preparou para lidar com a antecipação do início da vida sexual. O resultado é o aumento da gravidez antes dos 15 anos não só nos países subdesenvolvidos, alerta:

- Embora a sexualidade esteja presente desde a fase fetal do indivíduo, é nesse período que ela aflora. E nem sempre a maturidade física vem acompanhada da psicológica. Isso faz com que o adolescente se coloque em situações de risco e exposição, como uma gravidez indesejada, contato com doenças sexualmente transmissíveis, experiências sexuais ruins e até situações de abuso sexual ou violência. Para o adolescente, abrir mão de sua identidade de criança é também uma forma de perda.

Apesar do choque inicial, Cristina Medina aproveitou o momento para acrescentar ainda mais informações à descoberta, reforçar a importância do contraceptivo e contar que também usava o método porque não podia tomar remédios. Tudo isso numa linguagem simples, sem esconder a verdade nem revelar aspectos que fossem além do entendimento de uma criança.

- Sempre procurei mostrar que sexo é algo bom, natural, mas tem seu momento de acontecer. Por isso, acompanho o amadurecimento delas e reforço que iniciar a vida sexual é uma decisão de muita responsabilidade. Mas desempenho meu papel de mãe: elas sabem que não sou a melhor amiga e que podem contar com meu apoio em todos os momentos.

O resultado são meninas que estão vivendo cada etapa da adolescência a seu tempo: tiveram o primeiro beijo, namoram, mas a vontade de iniciar a vida sexual ainda não foi despertada. Além disso, elas não têm vergonha de compartilhar todas essas experiências com a família.
Adolescência: que bicho é esse?

Segundo Paulo César Pinho Ribeiro, pediatra, clínico de adolescentes e presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, é importante diferenciar puberdade - as transformações físicas que ocorrem durante o período da adolescência - desta importante fase da vida:

- Adolescência é um período de transição, em que ocorrem intensas mudanças físicas, psicológicas e sociais, e que prepara a criança para a função biológica da reprodução, promove o desenvolvimento psicológico e consolida sua integração no ambiente social. E acontece na segunda década de vida.


Ela chega cada vez mais cedo


O pediatra esclarece que também a puberdade tem chegado mais cedo. Estudos apontam que, a cada década, a entrada nesta fase se reduz em até três meses. Se há cerca de 50 anos, ela acontecia aos 14 anos, hoje, está em torno de 12 anos e 3 meses, alerta o especialista. Por isso, quanto mais cedo os pais se envolverem na educação sexual dos filhos, melhor para ambas as partes:

- As crianças aprendem pelo estímulo. Se você tem o hábito de elogiar seu filho, desenvolve sua autoconfiança. Tratando-o com respeito e amor, recebe o afeto como retorno. Se você fala a verdade, ele vai confiar em você. Se procura não expô-lo a situações embaraçosas, ele vai acreditar nas pessoas. Se os pais e a sociedade mostrarem habilidades positivas, as crianças e adolescentes vão incorporá-las a seu caráter.


Toda hora é hora para falar de sexo com os adolescentes


RIO - Para viver a fase da adolescência, que chega cheia de novidades e descobertas, sem sustos, o melhor presente que as mães podem oferecer é a educação. De acordo com o pediatra Paulo César Pinho Ribeiro, além da orientação, é preciso se assegurar de que a informação será revertida em atitudes:

- O melhor momento para se falar de sexo é quando as primeiras perguntas surgem. Se isso não acontecer, os pais podem também provocá-las a partir de fatos do cotidiano.

Descubra outras dicas 'de ouro' para lidar com seu filho adolescente:

- Utilize a mídia a seu favor: aproveite assuntos de revista, da TV e do cotidiano para explorar e desmistificar as questões sexuais.

- Saiba que muitas mães não se sentem confortáveis para falar sobre sexualidade com os filhos. Se realmente achar necessário, peça ajuda a um especialista.

- "Liberdade é ter consciência de seus limites", acredita o pediatra. E eles devem estar presente no dia-a-dia dos filhos desde a infância.

- A rebeldia do adolescente, em geral, vem da estrutura familiar. Logo, ele não será o único a ter de mudar.

- Meninos e meninas devem receber as mesmas orientações, indicam os dois especialistas. Nada de preconceitos. O mais indicado é que os pais conversem com os filhos e as mães, com as filhas.

- Falar sobre sexo não vai estimular seu filho a praticá-lo mais cedo, alerta a ginecologista Isabel Bouzas. A orientação vai contribuir para que ele lide com o assunto de forma mais saudável.

- Procure entender e se informar sobre as transformações por que seu filho está passando. Mas não tema dizer que não conhece algum tema e terá de pesquisar.

- Conversar não significa agir como uma adolescente. Ele espera dos pais apoio, orientação e um comportamento de adulto

Guia de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria

http://www.sbp.com.br/img/adolescencia.pdf

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Espírito Santo sanciona licença-maternidade de 180 dias (Portal SBP, 21/11/07)

Dr. Dioclécio Campos Jr. e dra. Ana Maria Ramos, presidente da Sociedade Espiritossantense de Pediatria (Soespe), participaram de solenidade, dia 20 de novembro, quando o governador Paulo Hartung, sancionou a lei que amplia a licença-maternidade de 120 para 180 dias para as servidoras públicas do Espírito Santo. A medida entra em vigor na quarta-feira, dia 21, com a publicação no Diário Oficial e pode beneficiar mais de 19 mil funcionárias, incluindo as que já estão licenciadas. As mulheres representam 62% do quadro do Executivo estadual e muitas estavam presentes no ato político realizado em Vitória.

Para o governador, “a educação não começa na escola, mas na família. Temos que investir em quem está nascendo, para fazer um contraponto com a violência", afirmou, acrescentando que espera que a medida ajude na aprovação pela Câmara do projeto de lei 281 da senadora Patrícia Saboya, apresentado com base em anteprojeto da SBP e já aprovado pelo Senado. Citando também a deputada Rita Camata como uma parlamentar que tem contribuído para a causa, adiantou que enviará cópia da proposta aos deputados federais do Espírito Santo.

Estavam presentes na solenidade a desembargadora Catharina Maria Novaes Barcellos; a procuradora-geral de Justiça, Catarina Cecin Gazele;o vereador José Carlos Lyrio Rocha – autor do primeiro projeto de ampliação da licença no estado, em vigor na prefeitura de Vitória – e o deputado estadual Hércules da Silveira, que quando vereador propôs o benefício em Vila Velha. “A Soespe foi pioneira nessa campanha, saindo às ruas para colher assinaturas de apoio desde 2005”, destacou o presidente da SBP. Fruto dessa mobilização, a licença-maternidade de seis meses já vigora também para o funcionalismo nos municípios capixabas de São Mateus, Serra, Castelo, Cariacica, Conceição da Barra, São Domingos do Norte, Marechal Floriano, Linhares, Colatina, Anchieta e Viana. São, ao todo, 61 cidades no País e mais sete estados: Amapá, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Rondônia.